Entrevista com José Otávio sobre o Sumol Nazaré Special Edition 2009

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Em entrevista exclusiva para o UrdanLife.com, o atleta carioca José Otávio, fala como foi o Sumol Nazaré Special Edition 2009.  Evento realizado em Portugal no mês passado (nov/2009), foi um campeonato com janela ( 10 dias com tempo de espera para as maiores e melhores condições do mar), com Jet sky para dar uma força para os competidores a entrarem no mar, como se trata de um evento onde priorizam as ondas grandes, é bem mais fácil entrar com a ajuda do Jet.  

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O atleta foi o único brasileiro que competiu, ficando com a segunda colocação, atrás apenas do havaiano e lenda viva do esporte, MikeStewart . 

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Tiveram umas especulações em torno desta vitória, o que acabou gerando uma certa polêmica, muitos afirmaram que José Otávio ganhava, suposições a parte, agradecemos a boa performance deste ícone do Bodyboarding brasileiro e mostramos a entrevista na íntegra.

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Entrevista

Como começou a sua participação no Nazaré Special Edition, foi um convite do seu patrocinador ? foi a organização do evento ? fale para os leitores do UrdanLife, mais detalhadamente como foi que aconteceu, desde a sua saída do Rio, até a chegada em Portugal.

Bem, eu estava no México com a equipe da Respect, fazendo fotos e filmagens quando o Rui Ferreira(diretor da Respect bodyboards) comentou se eu não gostaria de participar do Evento de Nazaré e depois irmos para as Canárias competir o Mundial de Confital. Ele ficou de ver se iriam me convidar, e deu certo.

Entraram em contato comigo e eu confirmei minha participação. Me organizei para ir competir em Portugal e depois ir para as Ilhas Canárias na sequência, ainda aproveitei para conhecer umas ondas na Espanha.

Qual foi a sua impressão assim que viu as ondas, o pico, o lugar, estava frio ?

No meu primeiro contato com a praia de Nazaré, o que me agradou muito, foi à beleza da cidade, tudo organizado, a arquitetura tinha um estilo meio antigo, próprio, bem diferente do que vemos no Brasil.

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Fomos à praia ver as ondas, e o mar estava bem grande na praia do Norte, onde seria o campeonato. Tinha mais de três (3) metros, com um vento de lado, atrapalhando muito. Depois fomos olhar as ondas na praia do Sul, onde o vento era terral e as ondas eram um pouco menores. Pegamos altas ondas por lá, e o frio era maior fora da água do que dentro, pois remando e pegando as ondas, ficava com o corpo quente… mais quando eu saia d’água fazia muito frio mesmo. Eu até que me adaptei rápido.

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E o nível dos atletas, como você definiria esta competição?

Portugal tem muitas ondas e atletas de alto nível, todos sempre competitivos. Sempre que eu estava treinando nos dias antes do campeonato, tinha alguém surfando bem no pico. Isso me motivava muito naquela água fria.

O formato do campeonato foi uma novidade para mim, pois cada atleta entra na água duas vezes por 45 minutos em cada bateria. Todos eram ajudados por um jet-sky para entrar no mar de forma rápida e podermos pegar o máximo de ondas possíveis.

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Todos os atletas somavam quatro ondas, as duas melhores ondas de cada bateria. O que mais me tranqüilizava era o tempo em que ficávamos dentro da água esperando pelas ondas, assim podíamos arriscar mais as manobras. De início, os seis melhores pontuados iriam fazer uma bateria final, onde somariam mais duas ondas para que se conhecesse quem era o campeão. Mas como o tempo estava curto, as colocações ficaram definidas apenas com a soma das quatro ondas. Foi um tipo de competição bem interessante, foi bem melhor para ariscar mais as manobras, com mais calma na água.

Como estavam as ondas na hora em que você entrou na competiu ?  as condições mantiveram-se igual o dia inteiro ou teve mudanças do mar ?

O mar estava grande, tipo 10, 12 pés com uma formação incrível, formando triângulos gigantes, lembrava a formação de São Conrado. Mas tinham poucos tubos, a onda ficava mais cheia, com muita parede e poucas opções de manobras.

Na minha segunda bateria, o mar estava um pouco menor, com séries de 10 pés, só que as intermediárias estavam com uma formação melhor, e eu fui feliz, arrisquei mais nas ondas.

Descreva o que você achou da sua melhor bateria, e como foram as suas performances ?

Na segunda bateria eu sabia que tinha que arriscar mais manobras, e tentar pegar as intermediárias, pois estavam melhores na formação. Depois de pegar umas ondas sem boa formação, consegui completar um grande invertido aéreo para a esquerda, e isso me animou bastante para conseguir uma boa colocação.

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Depois dessa onda eu peguei outra e mandei um Ars para a direita, em uma junção meio branca, difícil até de acreditar que eu voltei. Depois eu ainda tentei outro invertido aéreo para a direita, mas não consegui completar. Com estas ondas eu sabia que entraria na briga por boas posições.

Quem você achou que melhor surfou ?

Eu não acompanhei todas as baterias, mas vi o Pierre e o Jaime surfando bem nas duas baterias que eu tive a oportunidade de ver, além de algumas ondas de outros atletas.

O site fica muito orgulhoso de ver um brasileiro em um evento como este, o que você está sentindo com este segundo lugar atrás apenas da lenda viva Mike Stewart ?

Isso me motivou muito, pois todo mundo disse que eu surfei muito bem no evento, manobrei em ondas grandes e até merecia ter ganho.

Mas fiquei muito contente, pelo tamanho do mar, pela formação das ondas, pelas outras ondas que eu surfei, pelas pessoas que conheci, tudo isso foi muito bom para minha carreira. E ouvir do próprio Mike Stewart que eu surfei bem, é muito bom. 

A premiação é boa ? e os patrocinadores investiram mesmo ?

Isso me decepcionou um pouco, pois nessa edição, não teve uma premiação para os melhores colocados, somente para o primeiro, e eu acabei por não ganhar uma graninha.

Mas fora isso o campeonato estava impecável, organização de primeira, estrutura animal, muito bem feito mesmo. Tivemos hotel para os atletas, com café e jantar incluídos, uma equipe de Jet-sky de prontidão o dia inteiro fazendo o trabalho de colocar os atletas no pico, pois a onda estava quebrando muito longe da areia e com o tamanho que tinha, ficava muito difícil pegar muitas ondas sem a ajuda deles.

E a organização ?

Como disse, o evento foi muito bem organizado.

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Você acha que poderíamos ter um evento destes no Brasil, o que seria necessário para esta realização ?

Creio que temos ondas parecidas em Itacoatiara ou até em outros lugares, mas teríamos que ter uma boa organização para ter condições de fazer um evento parecido como o que vi em Portugal. Estrutura, apoio de Jet-sky, uma janela de espera razoável, boa premiação (que não seja só para o primeiro), uma grande mídia cobrindo o evento. Acho que é um evento a ser pensado para o Brasil sim, só precisamos nos organizar melhor.

Obrigado pela entrevista, o Urdanlife deseja muita sorte em 2010 no “World Tour”, acreditamos na sua vitória como Campeão do circuito, arrebenta !!! 

Abaixo o Link do vídeo sobre este campeonato, reparem na expressão do Mike quando anunciaram sua vitória, é Zé…este era seu, mas não deixaram ser…uma pena..mas…

http://www.vimeo.com/8082320  ( trailer do Sumol .. )

  • Fonte das fotos: arquivo pessoal do atleta e riptidemag.com

Boas Ondas e Boa Sorte

2 Comentários para “Entrevista com José Otávio sobre o Sumol Nazaré Special Edition 2009”

  • diogo marques disse:

    Irada a entrevista tinha feito um pedido no blog do Pedra,pra sair uma entrevista sobre esse assunto mesmo com o cara, mas o Urdan foi mais rapido
    Parabens!

  • joão zms disse:

    Otávio representou muito bem o brasil, mostrou que aqui continua tendo ótimos atletas, a única coisa que falta são ótimas iniciativas e seriedade. mas aos poucos estamos melhorando!

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